Pânico x Fé

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Me disseram uma hora dessas, mais precisamente hoje, na hora do almoço, que sou uma pessoa “muito bem programada para resistir”. No caso, para resistir à fé.
Fiquei pensando nisso o resto do dia e cheguei à conclusão de que realmente, ao longo da minha vida, não recebi muitos – nem bons – estímulos para me espiritualizar.

  • Na infância, a maior experiência que tive nesse sentido foi acompanhar uma tia à igreja e me sentir um tanto inferior por não poder receber aquele “biscoitinho achatadinho” como todas as outras pessoas. Minha tia me disse que era porque eu não tinha feito primeira comunhão… ela também me disse que o biscoitinho não tinha gosto, mas ele me parecia bem gostoso. Ainda mais dado na boquinha!
  • Me alfabetizei e estudei até o final do ensino fundamental (atual nono ano) numa escola humanista, que possuía sua própria filosofia e onde não se comemorava nenhuma data cristã. Páscoa, festa junina, Natal… nada disso a gente festejava.
  • Meu pai não acreditava em nada e ainda criticava os padres. Não deixou minha mãe me matricular no Santo Inácio, que era uma das melhores escolas do Rio, por causa disso.
  • Já a minha mãe acreditava em tudo, e ao mesmo tempo acabava não acreditando em nada muito seriamente. Acho que só no poder das velas de sete dias, porque essas se revezavam e nunca apagavam em cima da geladeira. Era a tocha olímpica lá de casa.
  • Na adolescência, minha banda de rock preferida se chamava Faith No More (traduzindo: “Fé Nunca Mais”). Precisa comentar? rssÉ muito difícil deixar de lado tantos anos de uma convicção – ou de falta de alguma, já nem sei mais -, mas confesso que até queria conseguir ter essa fé cega que vejo em algumas pessoas. Talvez sofresse menos.
    Mas não resisto à fé porque quero. Acho que a fé é um “dom”, uma “vocação”, que eu simplesmente não tenho. Ou fui “muito bem programada” mesmo.

    Esperança para todos, e fé para quem é capaz! ;)

5 COMENTÁRIOS

  1. Oi, Denis, muitas pessoas já me disseram isso também. Não deixa de ser um caminho em busca de uma vida mais plena e equilibrada. Boa sorte na sua busca, mande notícias! :)<br />

  2. Quem tem medo, não tem fé (ou é de pouca fé).<br />Acho que esses trasntros ansiosos, como TAG, TOC e síndrome do pânico está relacionado á essa falta de fé, não apenas em Deus, mas em sí mesmo.<br />Fui criado num lar cristão, tendo mãe católica (não praticante) e pai evangélico).<br />Hoje, após crises e mais crises de pânico, vejo a necessidade de possuir uma crença religiosa, que fortalecerá

  3. Sou católica praticante desde criancinha. No início achei que a minha cura seria um milagre, instântanea… fazendo uma novena, uma promessa… Hj acredito que a cura é um processo que Deus quer q eu viva. Desde que passei a pensar assim, tem sido menos difícil conviver com a TAG. Abraço!

  4. Oi Ana, eu cresci em um lar católico, daqueles &quot;cristão bola de sabão&quot;, nada muito levado à sério mas com certeza com alguma base. Durante os primeiros momentos de crise, quando descobri a doença, a fé me ajudou muito, rezei dia e noite com Padre Marcelo Rossi e rezei muita ave maria, ou melhor tentava rezar, pq a confuzão mental era tanta que eu me esquecia da reza no meio e tinha que

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