Ansiedade Generalizada (TAG)

A ansiedade, como sabemos, faz parte da vida do ser humano. É natural que todos nós tenhamos momentos de maior preocupação quando estamos diante de situações estressantes. Mas a ansiedade deixa de ser algo normal e passa a ser patológica quando essa preocupação é constante e não está ligada a nenhum motivo aparentemente real.

De acordo com o manual de classificação de doenças mentais (DSM), o TAG é um distúrbio caracterizado pela “preocupação excessiva ou expectativa apreensiva” persistente e de difícil controle, que perdura por pelo menos seis meses e vem acompanhado por três ou mais dos seguintes sintomas: inquietação, fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração, tensão muscular e perturbação do sono. (Como o estado de ansiedade perturba a visão que a pessoa tem a respeito de si mesma e do que acontece em sua volta, é necessário que esse diagnóstico seja sempre feito por um especialista.)

Ao contrário de uma fobia, que o medo está ligado a alguma coisa ou situação específica, o TAG não tem um agente estressor específico. Essa ansiedade é menos intensa do que num ataque de pânico, mas muito mais duradoura, e torna a vida da pessoa muito difícil, já que ela fica num estado de alerta constante.
Causa muito sofrimento e interfere na qualidade de vida e no desempenho familiar, social e profissional dos pacientes.

A pessoa que sofre de transtorno de ansiedade generalizada pode preocupar-se com as mesmas coisas que as outras pessoas. Questões de saúde, dinheiro, problemas familiares ou dificuldades no trabalho. Mas essas preocupações são elevadas a um nível estratosférico. Por exemplo: depois de assistir a uma reportagem sobre um atentado terrorista ocorrido em um país distante, a pessoa comum pode sentir uma sensação temporária de desconforto e preocupação. No entanto, quem sofre com  transtorno de ansiedade generalizada, provavelmente, vai continuar preocupado durante vários dias e fantasiar sobre a possibilidade de um cenário idêntico no local onde vive.

Se o telefone toca ou se liga para alguém e não é imediatamente atendido, imagina que algo grave possa ter acontecido.
“Está ficando tarde, ele já deveria ter chegado! Deve ter acontecido um acidente!“ “Eu não consigo dormir, só sinto medo… e não sei porquê!”

Suas atividades são encaradas com preocupação exagerada e tensão mesmo quando há pouco ou nada que provoque essa preocupação. Às vezes, apenas o pensamento de ter que esperar que o dia passe, produz ansiedade.

Nem todas as pessoas que têm transtorno de ansiedade generalizada possuem os mesmos sintomas, mas a maioria pode experimentar uma combinação de um número de sintomas emocionais, comportamentais e físicos.

Sintomas emocionais de transtorno de ansiedade generalizada:

  • preocupações constantes;
  • sente-se como se a sua ansiedade fosse incontrolável, não há nada que possa fazer para parar de preocupar-se;
  • pensamentos intrusivos sobre coisas que o fazem sentir-se ansioso; tenta evitar pensar sobre eles, mas não consegue deixar de pensar;
  • incapacidade de tolerar a incerteza; tem uma necessidade enorme de saber o que vai acontecer no futuro;
  • sentimento generalizado de apreensão ou temor
  • sintomas depressivos.

Sintomas comportamentais de transtorno de ansiedade generalizada:

  • incapacidade de relaxar, desfrutar de momentos de quietude, ou ser ele próprio;
  • dificuldade de concentração;
  • dificuldade em expressar-se, porque sente-se oprimido;
  • evita situações que fazem sentir-se ansioso;
  • perturbações do sono, como insônia, dificuldade para adormecer, acordar no meio da noite etc.

Sintomas físicos do transtorno de ansiedade generalizada:

  • taquicardia;
  • sudorese;
  • cólicas abdominais;
  • náuseas;
  • arrepios;
  • dores musculares;
  • tremores;
  • ondas de calor ou calafrios;
  • adormecimentos;
  • sensação de asfixia;
  • nó na garganta ou dificuldade para engolir;
  • grande cansaço ou esgotamento.

Grupo de Risco

As mulheres são duas vezes mais acometidas pela ansiedade generalizada do que os homens. A prevalência desse transtorno na população é relativamente alta e é também o tipo de transtorno de ansiedade mais frequente. Nos períodos naturais de estresse, os sintomas tendem a piorar, ainda que o estresse seja bom, como o próprio casamento ou um novo emprego. As mulheres abaixo de 20 anos são as mais acometidas, podendo, contudo, começar antes disso, desde a infância, ou pelo contrário, em idades mais avançadas, apesar de a idade avançada diminuir as chances do surgimento de transtornos de ansiedade.

Tratamento

O tratamento recomendado é a associação de medicação psiquiátrica (antidepressivos) com terapia, de preferência a cognitivo-comportamental (TCC).

Em alguns casos, a intervenção medicamentosa se faz necessária e a duração do tratamento pode variar de 6, 12 meses a até vários anos.

É muito comum que o TAG esteja associado a outros transtornos mentais, como fobias específicas e pânico. Ele costuma ser crônico, duradouro, com pequenos períodos de remissão dos sintomas, e geralmente leva o paciente a sofrer com estado ansioso elevado durante anos.

Pode vir a ceder espontaneamente em alguns casos, mas não há meios de se prever quando e se isso acontecerá.

Observações da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva:

  • “Uma dose equilibrada e saudável de ansiedade é vital para nossa existência. Sem ela seríamos absolutamente apáticos, sem vontade de conquistas, de marchar sempre em frente para que a vida faça sentido”.
  • “Estar num estado permanente de vigília e ansiedade é perder os parâmetros normais da realidade (…), navegar à deriva num mar revolto”.
  • “A ansiedade excessiva estabelece uma conexão direta com o futuro que talvez nunca exista”.(Fonte: livro Mentes Ansiosas, Psicosite)

Assista à entrevista com a Dra. Denise Amino, Diretora Técnica do AME Psiquiatria Dra. Jandira Masur (SP) sobre a ansiedade generalizada: