Transtornos de Ansiedade

Os transtornos de ansiedade fazem parte dos cerca de 300 tipos e subtipos de transtornos mentais (ou transtornos da mente) catalogados nos manuais de psiquiatria adotados no mundo inteiro. Atualmente, excetuando-se os vícios, os transtornos de ansiedade são os mais comuns entre todos os transtornos mentais, que hoje atingem uma em cada três pessoas.
Somente no Brasil, existem quase 40 milhões de pessoas com problemas desse tipo precisando de cuidados de saúde mental. Desses, 17 milhões são casos graves, de acordo com o Ministério da saúde.

Os transtornos mentais podem afetar qualquer pessoa, independentemente de sexo, idade, cultura, raça, religião, nível educacional ou renda, e não têm nada a ver com fraqueza ou falha de personalidade. Com cuidados médicos apropriados, a pessoa pode levar uma vida produtiva e plena.

A ansiedade, em níveis moderados, é nilconsiderada normal e até mesmo positiva. O “friozinho” na barriga que uma pessoa sente antes de começar num emprego novo, por exemplo, a faz acordar mais cedo, estudar o trajeto até o local do trabalho para não se atrasar, escolher uma roupa apropriada e desempenhar suas tarefas com eficiência. É essa ansiedade que também nos protege, que nos faz antecipar riscos e garantir nossa sobrevivência quando nos faz olhar para os dois lados antes de atravessarmos uma rua ou assoprar um alimento muito quente antes de levarmos à boca.
No entanto, se essa ansiedade acontece em níveis exagerados ou em ocasiões onde não há motivo, ela passa a ser considerada patológica. Um “frisson” vira uma dor de barriga, um embrulho no estômago, falta de apetite, insônia e, no fim, paralisa a vida da pessoa. Causa sofrimento.

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Em geral, um transtorno de ansiedade traz grandes prejuízos para os setores vitais de suas vítimas (vida social, familiar, profissional, acadêmica etc.), mas apesar disso, a maioria delas não procura ajuda especializada (psiquiátrica e psicológica) ou demoram muito a procurá-la. Normalmente, só procuram após sofrerem por muito tempo, peregrinarem em vão pelas mais variadas especialidades médicas, ou quando suas vidas já estão reviradas pelo avesso. O motivo dessa demora? Falta de conhecimento sobre o assunto, vergonha (preconceito, estigma) e a falsa crença de que trata-se de mera fraqueza são os principais.

Sintomas

Os sintomas físicos mais frequentes são:

  • Taquicardia
  • Falta de ar
  • Sudorese
  • Tontura
  • Cólica
  • Náusea

Sintomas psíquicos:

  • Inquietação
  • Irritabilidade
  • Sobressalto
  • Insegurança
  • Insônia
  • Dificuldade de concentração/memorização
  • Sensação de estranheza

Diagnósticos de Transtornos de Ansiedade

O medo patológico pode se manifestar de diversas formas e diferentes graus de intensidade. Os principais diagnósticos são:

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São diversos os fatores (ou uma associação deles) que predispõem uma pessoa a desenvolver os transtornos de ansiedade:

  • Desequilíbrios fisiológicos (neuroquímica), como deficiência no papel dos neurotransmissores (substâncias químicas produzidas pelos neurônios, como a noradrenalina e a serotonina);
  • Histórico de transtornos mentais na família (fatores genéticos);
  • Exposição a situações de tensão emocionais, a curto e longo prazos;
  • Crenças pessoais: frequentemente, pessoas com transtornos de ansiedade enxergam o mundo de maneira negativa e veem as situações da vida e lugares como perigosos e ameaçadores;
  • Meio/programação familiar: certos tipos de ambiente familiar parecem predispor crianças para o aparecimento de transtornos de ansiedade, produzindo nelas sentimentos de insegurança, medo e dependência (por exemplo, pais perfeccionistas, críticos, que exijam constantemente que o desempenho do filho atinja níveis insuperáveis);
  • Estresse (maior em grandes cidades);
  • Vida moderna: volume ilimitado de informação, estímulos visuais por todos os lados, pressão por consumo, carga de trabalho excessiva (além de competição, cobrança, assédio moral), crescimento da violência, desigualdade social e falta de perspectivas (más condições de moradia, transporte, educação, saúde, segurança);
  • Maus-tratos na infância (violência física e/ou psicológica).

Certos tipos de transtornos mentais e comportamentais, como a ansiedade e a depressão, podem ocorrer em consequência da incapacidade de se adaptar a uma ocorrência vital estressante. De modo geral, as pessoas que procuram não pensar nos estressores ou fazer face a eles têm mais probabilidades de manifestar ansiedade ou depressão, enquanto as que discutem seus problemas com outras e procuram encontrar meios de controlar os estressores funcionam melhor com o passar do tempo.

Importante: para confirmar um diagnóstico de ansiedade patológica, é necessário que a perturbação não se deva ao uso de substâncias (drogas, álcool, medicamentos) ou a alguma condição médica, como problemas hormonais (hipertireoidismo, por exemplo), que têm como principais sintomas a ansiedade e as oscilações de humor. Outras possíveis condições médicas: TPM, menopausa, hipoglicemia, desequilíbrio imunológico (como alergias), prolapso da válvula mitral (PVM).

Cura/Tratamento

shiny-brain-1150907As causas de cada transtorno mental ainda não foram descobertas, assim como a cura.
Os tratamentos disponíveis, embora efetivos, nem sempre são capazes de reverter o problema ou impedir seu desenvolvimento, mas, na maior parte das vezes, aliviam os sintomas (o sofrimento) e permitem que as pessoas levem suas vidas com qualidade.
A combinação de remédios e psicoterapia, em especial a abordagem TCC (Terapia Cognitivo-Comportamental), tem sido a melhor opção no tratamento dos transtornos de ansiedade. Em alguns casos, somente a psicoterapia pode ser suficiente. No entanto, em outros, o uso da medicação pode ser essencial. Esta avaliação deve ser feita somente por um profissional especializado – no caso, um psiquiatra ou um psicólogo.

Quem sofre de transtorno mental só vai se beneficiar dessa ajuda se aceitar e seguir um tratamento apropriado. Para isso, ele talvez precise superar qualquer receio de falar sobre seu problema. O tratamento pode incluir conversas com profissionais de saúde mental que poderão ajudá-lo a entender melhor sua doença, a resolver problemas do dia a dia e a reforçar a necessidade de não interromper o tratamento. Nessas consultas, um membro da família ou um amigo pode ter um papel vital em dar o apoio necessário.
É bom lembrar que muitos pacientes não conseguem sair de casa sozinhos.

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Felizmente, nos últimos anos tivemos boas e animadoras notícias em relação ao tratamento dos transtornos de ansiedade, e hoje dispomos de um leque de possibilidades medicamentosas, que prometem causar bem menos efeitos colaterais. De mais a mais, o progresso ocorrido no campo das terapias psicológicas de apoio foi significativo.
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) provou ser capaz de mudar os esquemas de pensamento que aprisionam os pacientes aos seus próprios medos, além de alterar o seu comportamento (atitudes) diante dos fatores de ansiedade que desencadeiam.
Em relação às novas medicações, algo curioso aconteceu: a constatação da frequente associação entre ansiedade e depressão fez com que os pesquisadores estudassem o uso de substâncias originalmente utilizadas como antidepressivos também para os casos de transtornos de ansiedade. A boa surpresa foi que algumas dessas substâncias se mostraram realmente eficazes em determinadas formas de ansiedade patológica.

Atualmente podemos afirmar que em 80% dos casos de transtornos de ansiedade é possível melhorar muito a qualidade de vida dos pacientes. Após a conquista desse bem-estar, é muito importante que o paciente prossiga em sua terapia de manutenção, pois essa prática é bastante eficaz na prevenção de recaídas, que podem vir a ocorrer.
Os grupos de apoio (mútua ajuda) costumam ser ótimos aliados no tratamento.

time-1425553Duração do tratamento

As doenças da mente, depois que surgem, tendem a se cronificar. Algumas melhoram com a idade, outras vivem altos e baixos, e há aquelas que evoluem progressivamente, limitando, pouco a pouco, a vida do indivíduo. Por isso, não há como um médico prever ou mesmo definir a duração de um tratamento.

Tanto os médicos quanto os psicólogos precisam de empenho e persistência, pois, em alguns casos, ocorre uma grande dificuldade em se estabelecer o tratamento mais adequado para cada paciente e sua forma de ansiedade. Todo “bom” ansioso tem pressa, e quer sentir os benefícios do tratamento rapidamente. No entanto, os remédios não são pílulas milagrosas, e precisam de algum tempo (cerca de 6 a 8 semanas) para que atuem da maneira esperada. Muitos pacientes não suportam alguns efeitos colaterais – como dores de cabeça, de estômago, enjoo, ganho de peso – e desistem do tratamento antes de sentirem qualquer benefício – e é comum fazerem essa descontinuação sem a orientação do médico.

Interromper o uso da medicação repentinamente pode causar sintomas de abstinência (síndrome de descontinuação) e ainda aumenta o risco de recaídas da depressão. Da mesma forma que não se deve tomar remédios por conta própria, a retirada dos antidepressivos deve ser feita sempre com acompanhamento de um especialista.

Fonte: Livros Mentes Ansiosas, de Ana Beatriz Barbosa Silva, e Não é Coisa da Sua Cabeça, de Naiara Magalhães e José Alberto de Camargo; experiência pessoal.
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