Transtornos mentais

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(imagem: reprodução da internet)

Apesar de doenças como esquizofrenia e psicose serem as primeiras lembradas ao se falar no assunto, elas não são as mais frequentes. No topo da lista estão a depressão e a ansiedade.

Transtornos mentais afetam 700 milhões no mundo

(por Chris Bueno, do UOL)

Segunda causa mais comum de invalidez em todo o mundo, a depressão fica atrás apenas das dores nas costas, segundo um estudo recém-publicado na revista científica PLOS Medicine. A pesquisa comparou a depressão clínica, um dos transtornos mentais mais comuns, com outras 200 doenças e lesões apontadas como causas de invalidez. Segundo os autores, a doença deve ser tratada como uma prioridade de saúde pública global.

Falar sobre transtornos mentais ainda é um assunto muito delicado. Mas o fato é que eles são bem mais comuns do que se imagina. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), os transtornos mentais atingem cerca de 700 milhões de pessoas no mundo, representando 13% do total de todas as doenças.
E apesar de doenças como esquizofrenia e psicose serem as primeiras lembradas ao se falar no assunto, elas não são as mais frequentes. No topo da lista estão a depressão e a ansiedade.

No Brasil, a capital paulista é a cidade com o índice mais alto de habitantes com transtornos mentais. Isso é o que aponta o projeto São Paulo Megacity: estudo realizado pelo IPq (Instituto de Psiquiatria) do Hospital das Clínicas de São Paulo com 5.037 residentes dos 39 municípios da região da Grande São Paulo, em 2012.

Depressão

A depressão é caracterizada pela tristeza, baixa autoestima, pessimismo e desânimo. Segundo a OMS, a depressão atinge cerca de 350 milhões de pessoas pelo planeta, o que corresponde a 5% da população mundial. Só no Brasil, 10% da população sofrem com o problema.

Já a ansiedade é caracterizada por excesso de pensamentos negativos, sensação de aflição, incapacidade de relaxar, tensão e preocupação exagerada. De acordo com a organização, a ansiedade atinge 10 milhões de pessoas.

Apesar dos altos números, muitas pessoas consideram a depressão e a ansiedade mais um “estado emocional” do que uma doença. O que é um erro grave: não dando o devido valor a esses sintomas, pode-se adiar o diagnóstico da doença, agravar seu estado e até mesmo prejudicar seu tratamento.

“É necessário entender que o transtorno mental é uma doença como qualquer outra, como diabetes, por exemplo. É necessário buscar tratamento para que os sintomas sejam controlados e, assim, a pessoa possa levar uma vida normal”, afirma a psicóloga Ana Cristina Fraia, coordenadora terapêutica da Clínica Maia Prime.

Uma doença com tratamento

Os transtornos mentais podem ser causados por vários fatores, entre eles a genética, a química cerebral (problemas hormonais ou uso de substâncias tóxicas que afetam o cérebro) e o estilo de vida são tidos como os principais. “Muita pessoas acreditam que os transtornos mentais não têm componente físico e, portanto, seriam causados apenas por fatores externos, ambientais, sociais”, aponta Pedro Katz, psiquiatra do Hospital Samaritano de São Paulo.

Como qualquer doença, os transtornos mentais precisam de tratamento e acompanhamento especializado. Existem medicamentos eficazes para tratar depressão, esquizofrenia, transtorno obsessivo compulsivo e todas as outras doenças mentais.

“Hoje, com um refinamento maior dos diagnósticos e com o avanço dos tratamentos, pode-se ajudar pessoas que possuem alterações mais sutis em relação a um sofrimento emocional, mas que, se diagnosticadas e tratadas, apresentam uma melhora importante na qualidade de vida”, explica Marco Antônio Abud Torquato Junior, psiquiatra do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP (Ipq/HCFMUSP) e do Hospital Universitário da USP.

Porém o tratamento não é fácil: ele exige comprometimento e adesão – em muitos casos para a vida toda. Isso porque a maioria dos transtornos mentais não tem cura. Muitos médicos os comparam às doenças como hipertensão ou diabetes, que também não têm cura, mas podem ser controladas a ponto do paciente viver bem. “Não tem cura, mas tem controle – desde que a pessoa busque e siga um tratamento adequado. Aí é possível atingir uma boa qualidade de vida”, ressalta Fraia.

Preconceito e desinformação

O que não pode é ficar sem tratamento – o que acontece muitas vezes devido ao preconceito e a desinformação que cercam os transtornos mentais. E vencer isso é um verdadeiro desafio.

“Em geral, o maior desafio está no início do tratamento, em ajudar a própria pessoa e sua família a vencerem o preconceito e o estigma em relação a realizar um tratamento psiquiátrico”, afirma Torquato.

Parte desse preconceito existe justamente pela falta de informação. O assunto ainda é considerado tabu e dificilmente é discutido abertamente, mesmo na mídia. Também não existem muitos materiais informativos ou campanhas para esse tipo de doença. E a informação é um aliado importantíssimo na hora de fazer um diagnóstico e buscar um tratamento, que pode fazer toda a diferença para a qualidade de vida e o bem-estar do paciente.

“As pessoas ainda têm muita dificuldade e pouco acesso a informações que as auxilie a compreender que, embora estejamos falando de doenças que se manifestam com alterações emocionais, mudanças de humor, do comportamento e do pensamento, existe na maioria dos casos um comprometimento orgânico. E que é necessário um tratamento, que é efetivo na grande maioria dos casos”, explica Katz.

Segundo a OMS, muitas pessoas não buscam tratamento por causa do estigma relacionado à doença mental.
A maioria das doenças mentais é tratável, mas, de acordo com a Aliança Nacional para a Doença Mental, nos Estados Unidos, aproximadamente 60% dos adultos e quase 50% dos jovens entre 8 e 15 anos que têm transtorno mental não receberam tratamento no ano passado.

O que é transtorno mental?

Especialistas o definem como uma disfunção significativa no pensamento, controle emocional e comportamento de alguém, o que muitas vezes compromete sua habilidade de
se relacionar com outros e de administrar as várias atividades do dia a dia.

Os transtornos mentais não têm nada a ver com fraqueza ou falha de personalidade.

A gravidade dos sintomas pode variar de duração e intensidade, dependendo da pessoa, da doença e das circunstâncias. Os transtornos mentais podem afetar qualquer pessoa, independentemente de sexo, idade, cultura, raça, religião, nível educacional ou renda, e não têm nada a ver com fraqueza ou falha de personalidade.
Com os cuidados médicos apropriados, a pessoa pode levar uma vida produtiva e gratificante.

Tratamento para transtornos mentais

Profissionais da área têm tratado com sucesso vários tipos de transtornos mentais. Por isso, o primeiro passo é ter uma avaliação completa de um profissional de saúde com experiência em tratar distúrbios mentais.
No entanto, quem sofre de transtorno mental só vai se beneficiar dessa ajuda se aceitar e seguir um tratamento apropriado. Para isso, ele talvez precise superar qualquer receio de falar sobre seu problema. Pode ser que o tratamento inclua conversas com profissionais de saúde mental habilitados que podem ajudá-lo a entender melhor sua doença, a resolver problemas do dia a dia e a reforçar a necessidade de não interromper o tratamento.
Nessas consultas, um membro da família ou um amigo pode ter um papel vital em dar o apoio necessário.

COMO LIDAR COM TRANSTORNOS MENTAIS

– Siga o tratamento prescrito por um profissional qualificado da área de saúde mental.
– Mantenha uma rotina diária equilibrada e estável.
– Pratique exercícios físicos.
– Durma o suficiente.
– Tire tempo todos os dias para relaxar.
– Tenha uma alimentação balanceada e nutritiva.
– Limite o consumo de álcool e evite medicamentos que não foram prescritos a você.
– Não se isole. Passe tempo com pessoas em quem confia e que se importam com você.
– Dê atenção às suas necessidades espirituais.

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“Em todas as partes do mundo, milhões de pessoas sofrem de transtornos mentais, o que também acaba causando mudanças na vida daquelas que as amam.
Uma em cada quatro pessoas será afetada por um tipo de transtorno mental em algum momento da vida. Em todo o mundo, a depressão incapacita mais pessoas que qualquer outra doença. A esquizofrenia e o transtorno bipolar estão entre os distúrbios mais graves e incapacitantes. Embora afete um grande número de pessoas, os transtornos mentais continuam invisíveis, negligenciados e discriminados.” — Organização Mundial da Saúde (OMS).

(fonte: JW.ORG)
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