Mutismo Seletivo

Por definição, o mutismo seletivo é um transtorno de ansiedade encontrado em crianças, caracterizado por uma contínua recusa em falar em determinadas situações.  

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As crianças com mutismo seletivo são capazes de compreender, falar e produzir linguagem em ambientes limitados, ou seja, em casa podem se comunicar normalmente (às vezes só com os pais, ou com um deles), como também falar com outras crianças e animais. No entanto, não falam com outros adultos, como professores, médicos, dentistas, familiares e desconhecidos.

De qualquer maneira essas crianças estão interessadas em se comunicar, seja com gestos, olhares ou sinais, ao contrário de boa parte das crianças com diagnóstico de autismo.
Alguns comportamentos podem estar associados ao mutismo seletivo, como: dificuldade de olhar no olho, expressão facial pouco expressiva e certa imobilidade psicomotora fora do ambiente familiar.

O paciente mutista seletivo pode remexer-se nervoso quando exposto a situações sociais mais ansiosas. Alguns pacientes podem retrair-se quando algum adulto tenta se aproximar ou quando fisicamente tocados. Outras características comportamentais podem estar associadas ao mutismo seletivo: timidez excessiva, dependência dos pais, acessos de birra, agressividade, isolamento social, tristeza, excessiva rigidez e perfeccionismo, além da evitação do contato olho no olho, já mencionado.

Acredita-se que a influência dos fatores ambientais e situações interpessoais sejam de grande peso para o seu desenvolvimento. Ele pode ser deflagrado por uma experiência negativa pela qual a criança passou, como violência física ou verbal, morte, início escolar, sequestro, ou uma grande decepção. Todas, de alguma maneira, estariam relacionadas à separação do cuidador da criança, sendo considerado um tipo de transtorno fóbico.

A genética também tem um peso importante: estatísticas mostram que muitas crianças afetadas pelo transtorno têm um parente próximo com histórico de transtornos emocionais.
A influência do comportamento dos pais nos relacionamentos com outras pessoas, bem como suas alterações de humor, podem dar à criança impressões problemáticas sobre o relacionamento humano, gerando certa ansiedade fóbica social. A patologia é mais encontrada em filhos de pais tímidos ou distantes.

A própria personalidade da criança pode favorecer o aparecimento do transtorno.

O DSM-IV define o mutismo seletivo levando em consideração os seguintes itens:

  • Não falar em situações sociais específicas (onde há expectativa para que fale, exemplo: escola), apesar de falar em outras situações;
  • Interfere no desempenho escolar ou ocupacional ou na comunicação social;
  • Duração mínima de um mês (não limitado ao primeiro mês de escola);
  • O fato de não falar não é devido à falta de conhecimento ou de não se sentir à vontade com a língua falada na situação social (exemplo: criança que mora em um país e se muda para outro com cultura totalmente diferente)
  • Não é devido a um transtorno de comunicação (exemplo: gagueira) e não ocorre durante uma psicose.

É importante lembrar que as crianças com mutismo seletivo após imigração para país com outra língua não podem receber esse diagnóstico, já que o fato pode ocorrer em resposta ao isolamento social que a língua estrangeira proporciona, e mesmo, principalmente, pelo choque cultural.

Tratamento

Não existem muitas referências e orientações para o tratamento do mutismo seletivo. Talvez pelo fato da criança com mutismo seletivo não perturbar ninguém e passar por quietinha, ao contrário da criança hiperativa, cujo comportamento agitado chama a atenção de todo mundo, seu tratamento tem sido protelado e sua importância tem sido minimizada.
As modificações comportamentais são as medidas mais promissoras. A psicoterapia e terapia da fala também são importantes.

(Fonte: site Psiqweb)