Medo ou fobia? Você sabe a diferença?

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(Fotos: Freeimages.com)

Frequentemente ouvimos alguém dizer que tem fobia de alguma coisa: “Eu tenho muita fobia de barata!”, alguns (mais frequentemente, algumas!) afirmam. “Eu tenho fobia de gente que fala alto”, outros garantem. Mas será que essas pessoas sabem o que é fobia? E você? Sabe o que é fobia? Será que possui alguma? Esta matéria publicada no portal UOL pode tirar a dúvida! ;)

VOCÊ TEM MEDO DE QUÊ? CONHEÇA ALGUMAS FOBIAS RARAS
Por Chris Bueno

Altura, barata, aranha, fantasma, até palhaço. Para algumas pessoas, isso tudo pode ser assustador. Mas para outras, o medo é tão intenso que é capaz de provocar ansiedade extrema ou ataques de pânico, e até mesmo de impedir que a pessoa mantenha sua rotina normalmente. Longe de ser apenas um exagero, as fobias merecem atenção especial e precisam de tratamento.

“O medo é um sensação que todos experimentam ao longo da vida, e que se apresenta em situações nas quais nos sentimos ameaçados por algum perigo”, diz o psicanalista Caio de Mattos Filho, professor de Teoria Psicanalítica da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UFRJ) e autor do livro O sintoma fóbico: suplência na lógica fálica.

Desta forma, o medo é uma sensação natural e até mesmo saudável, pois é uma reação de autopreservação. Sem ele, nos exporíamos mais aos riscos, o que poderia ter consequências bem graves.

“Em contraposição, o medo neurótico é o que se designa clinicamente como fobia e se reconhece pela sensação de medo e angústia desproporcionais em relação ao aparente perigo”, diz o psicanalista.

Assim, a fobia é uma sensação exacerbada do medo, mesmo quando não há um risco ou perigo real. O problema dispara uma série de sintomas físicos, como taquicardia, tremedeira, falta de ar e ataques de pânico.

Fobia é um medo excessivo e irracional de um objeto, circunstância ou situação específica. Ela leva a pessoa a evitar a situação temida, sendo que a antecipação ou presença da situação fóbica desencadeia um grave sofrimento no indivíduo afetado que, em geral, reconhece sua reação como excessiva“, explica o psiquiatra Mauro Barbosa Terra, professor de Psiquiatria da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

O nível de ansiedade que as fobias causam muitas vezes limita o dia-a-dia da pessoa. Por exemplo, alguém com fobia de altura pode se recusar a trabalhar em um escritório em um andar alto, ou uma pessoa com fobia de avião vai se recusar a viajar deste modo.

Além disso, pessoas com fobia tendem a evitar situações em que terão contato com o objeto, animal ou evento que temem, e ainda sofrerão com ansiedade antecipada apenas por imaginar estar nesta situação.

Fobias atingem 10% da população mundial

As fobias atingem 10% da população mundial. Qualquer pessoa pode ser acometida com uma, na infância ou na idade adulta, mas algumas têm mais predisposição do que outras.

“São mais suscetíveis a desenvolverem fobias pessoas que tenham uma predisposição genética para o problema e que tenham convivido em sua infância com familiares também fóbicos que tenham passado seus medos para elas”, aponta Terra.

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, da Associação Americana de Psiquiatria, classifica 500 exemplos de fobias e as divide em cinco tipos: animais (aranhas, cobras, sapos, etc.); aspectos do ambiente natural (trovoadas, terremotos, etc.); sangue, injeções ou feridas; situações (altura, andar de avião, andar de elevador, etc.), e outros tipos sem classificação específica (medo de vomitar, contrair uma doença, etc.).

As fobias mais comuns são as relacionadas com animais, tempestades, escuridão, ou o medo de coisas associadas, de um modo ou de outro, com o que é sexual – tais como a micção, a defecação ou, de um modo geral, a sujeira e o contágio. Estas últimas aludem ao que é mais fundamental: o laço amoroso com o outro e sua intensidade libidinal”, explica Filho.

Estão na lista das fobias mais frequentes a acrofobia, o medo extremo e irracional de altura; a nictofobia, que é o medo do escuro; a claustrofobia, que é o medo de lugares e espaços fechados; a agorafobia, que é o medo incontrolável de espaços abertos e multidões, que pode levar a pessoa a não sair de casa; a fobia social, que é o excesso de ansiedade em situações nas quais a pessoa acredita que possa ser avaliada enquanto desempenha uma tarefa comum, como falar ou comer.

Mas há também algumas fobias consideradas raras como a gamofobia (medo de casamento), a afania (medo de perder a capacidade sexual), a coulrofobia (medo de palhaços) ou a eisoptrofobia (medo de espelhos).

Tratamento pode ser feito com psicólogos e psiquiatras

De acordo com a Associação Americana de Distúrbios da Ansiedade, cerca de três quartos dos indivíduos com fobia no mundo jamais recebem ajuda. Muitos fóbicos relutam em procurar ajuda devido ao constrangimento. Outros não sabem nem mesmo que têm uma fobia, nem onde encontrar ajuda.

O mais indicado é procurar um psiquiatra ou um psicólogo para lidar com o problema

O tratamento mais estudado e eficiente para as fobias é provavelmente a terapia na qual o paciente deve ser estimulado a se expor à situação fóbica para reduzir o seu medo. Uma das técnicas mais utilizadas é a dessensibilização sistemática, quando a pessoa é exposta a uma lista de situações geradoras de ansiedade, graduada em uma hierarquia da menos para a mais amedrontadora”, diz Terra.

Exercícios regulares, sono adequado e refeições regulares podem ajudar a reduzir a frequência dos ataques. Reduzir ou evitar o uso de cafeína e de outros estimulantes também contribui para diminuir a ansiedade, segundo os médicos consultados.

Além disso, existem centros de tratamento de fobias e terapia em grupo para ajudar as pessoas a lidar com fobias, como o medo de voar. Existem vários meios que podem fornecer ajuda.

Conheça algumas fobias

ACROFOBIA – O nome é estranho, mas a fobia é uma das mais comuns. Quem tem acrofobia tem medo de altura – tanto que pode ter um ataque de pânico ao encontrar-se em um lugar alto e não vislumbrar uma forma de sair dele. Além disso, algumas pessoas podem tentar descer imediatamente, rastejando ou com o corpo abaixado com os joelhos no chão.

ANUPTAFOBIA – É o medo de ficar solteiro. Muitas pessoas que sofrem desse problema se sentem solitárias e acreditam que estão condenadas a ficarem sozinhas para o resto da vida. O medo pode levar essas pessoas a terem episódios de angústia e de depressão, e também a engatarem um relacionamento atrás do outro, para não ficarem sozinhas. Quem sofre com essa fobia geralmente é inseguro, tem baixa autoestima, é ciumento, tem depressão, ansiedade e dependência afetiva.

GAMOFOBIA – Ao contrário da anuptafobia, a gamofobia é o medo de se casar. A fobia está invariavelmente relacionada com perdas concretas ocorridas no passado ou com a fantasia de que elas virão a acontecer.

CACORRAFIOFOBIA – Quase todo mundo tem medo de errar. Mas quem sofre de cacorrafiofobia tem um medo patológico de falhar. Essa angústia é tão grande que leva a pessoa a evitar certas situações em que acredita que poderá falhar e, se tiver que enfrentá-las, pode desencadear um ataque de pânico.

CAETOFOBIA – É o medo de pelos e cabelos. A aversão é tão grande que pessoas com essa fobia costumam cortar o cabelo bem curto ou até mesmo raspá-lo, ou ainda contratar alguém para lavar o cabelo, só para não ter que manuseá-lo.

CATSARIDAFOBIA – Essa é uma das fobias mais populares. Quem tem catsaridafobia tem muito medo de baratas – tanto que costumam colocar telas nas janelas, redes nos ralos e ter sempre veneno na mão.

COULROFOBIA – Quem sofre de coulrofobia tem medo incontrolável de palhaços. Essa fobia é mais comum entre crianças, mas também pode ocorrer em adolescentes e adultos.

EISOPTROFOBIA – É o medo persistente, irracional e injustificado de espelhos. Geralmente, esta aversão está associada ao medo de coisas sobrenaturais: as pessoas com o problema temem ver no reflexo do espelho fantasmas e outros seres. Isso faz com que evitem espelho a todo custo.

FILEMAFOBIA – É o medo de beijos. Quem tem essa fobia sente enjoos, fica com a boca seca e as mãos trêmulas só quando é beijado ou quando deve beijar alguém – tanto faz se na boca, na bochecha ou na testa.

GERASCOFOBIA – Quem sofre de gerascofobia tem um medo patológico de envelhecer. E aqui não é o medo da morte o que causa a angústia, mas sim o medo de todas as mudanças biológicas e no estilo de vida que o envelhecimento pode causar. O medo é tão grande que pode levar a episódios de falta de ar, tonturas, tremores, palpitação e ataque de pânico.

ONFALOFOBIA – Quem tem onfalofobia tem OLYMPUS DIGITAL CAMERAmuito medo de umbigos. Não gosta de ver umbigo de outras pessoas nem o seu próprio. Tentar tocá-lo, então, é uma grande agonia. Algumas mães com esse problema chegam a tapar o umbigo dos bebês com curativos para não ter que vê-los.

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