Isolamento social é um dos primeiros sintomas da depressão, diz psicóloga

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Com a ajuda da filha, aposentada conseguiu melhorar da doença (Foto: Reprodução/ TV TEM)

Pacientes também comentam sobre sintomas da doença para TV TEM.
Brasil possui 17 milhões de depressivos: maioria está no sul e sudeste.

Do G1 Itapetininga e Região
28/02/2015

Um dos primeiros sintomas da depressão é o isolamento social, segundo a psicóloga Regina Maria Soares. A doença é grave e produz alteração do humor caracterizada por uma tristeza profunda. Em Itapetininga (SP), pacientes também falaram à TV TEM sobre os sintomas e os males do “mal do século”.

A falta de ânimo para realizar atividades que precisam de socialização é característico do depressivo. Quem aponta para esse fato é a aposentada Wercelei Terezinha Luvizotto da Silva. Depois da morte do marido, ela sofreu durante dois anos sem saber que estava com a doença. Encontrou na pintura uma terapia. “Queria me afastar de todo mundo. Ficar sozinha, inclusive no escuro. Nem televisão eu assistia. Não cuidava de mim, perdi minha autoestima”, conta.

Aposentada Wercelei fez da pintura uma terapia contra depressão (Foto: Reprodução/ TV TEM)
Aposentada Wercelei fez da pintura uma terapia
contra depressão (Foto: Reprodução/ TV TEM)

Quem acaba percebendo o problema primeiro é a família, que deve ajudar o paciente a buscar especialistas. Quanto antes o tratamento começar, mais chances de cura. E foi assim que a estagiária Adriana Barreto dos Santos pôde ajudar a mãe a perceber a doença. “Ela sempre foi uma pessoa alegre, risonha, falante. E começou a se aquietar no canto dela, ficar no quarto. Eu falei que precisávamos ver o que era”, conta.
A mãe de Adraina, a dona de casa Maria Bispo Barreto Santos, levava uma vida ativa e teve que parar tudo devido à osteoporose e às fortes dores. Começou a depressão. Detectada a causa de tanto desânimo, ela partiu para o tratamento. Toma remédios e faz acompanhamento psicológico. Agora se sente bem melhor. “Depois do tratamento eu, graças a Deus, melhorei bastante. Não sei o que os outros acham, mas para minha família estou dando menos trabalho”, diz.
Apesar de muita gente ainda não acreditar, a depressão é uma doença que está entre as 11 que mais acometem os brasileiros. No mundo, são 121 milhões de pessoas depressivas, 17 milhões somente no Brasil. A maioria dos doentes está entre pessoas de 60 a 64 anos nas regiões sul e sudeste. O dado preocupante é que 75% nunca receberam um tratamento correto.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão é a quarta doença que mais causa incapacidade para o trabalho no mundo. Até 2020, vai estar em segundo lugar, estima a organização.
A psicóloga Regina Maria Soares explica que nem toda depressão tem motivo específico. Há vários tipos da doença. “A depressão é multicausal, isto é, ela pode ter tanto uma origem orgânica, que seria um distúrbio nos hormônios do organismo, ou ter fatores ambientais, sociais e psicológicos”, afirma.
Cabe a quem está por perto perceber o problema e tentar ajudar, ressalta a especialista. “É muito importante que os familiares, os amigos, quando perceberem que essa pessoa está se afastando do convívio, muitas vezes não tendo vontade de levantar, queixando-se de muito cansaço, falta de apetite, que os familiares fiquem de olho porque muitas vezes essa pessoa está sinalizando há algum tempo que não está bem e ninguém percebe, e só vai descobrir quando a situação é mais grave”, conclui.
Com o carinho da família, o tratamento correto e atividades que ajudam a trazer o bem-estar, voltar a sorrir não é nada impossível. “A maior alegria é quando vejo ela sorrindo, ela é tudo para mim”, conta emocionada Adriana sobre a mãe.

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1 COMENTÁRIO

  1. Verdade, concordo plenamente: “É muito importante que os familiares, os amigos, quando perceberem que essa pessoa está se afastando do convívio, muitas vezes não tendo vontade de levantar, queixando-se de muito cansaço, falta de apetite, que os familiares fiquem de olho porque muitas vezes essa pessoa está sinalizando há algum tempo que não está bem e ninguém percebe, e só vai descobrir quando a situação é mais grave”

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