Neurocientista Sergio Machado fala sobre a fobia social

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Em sua segunda participação no Sem Transtorno, o professor Sergio Machado, do Laboratório de Pânico e Respiração (LABPR) do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPUB/UFRJ), nos fala sobre a fobia social e faz um novo convite aos pacientes que queiram participar das pesquisas do núcleo de neurociências.

ST – Professor Sergio, o que é a fobia social?
SM – A fobia social (FS) consiste em uma apreensão e ansiedade diante de situações sociais devido ao medo exagerado de ser avaliado de maneira negativa por outras pessoas. O portador sente um medo intenso de ser humilhado ou ficar embaraçado em situações sociais, que passam a ser evitadas ou suportadas com desgaste. Somado a isso, existe uma sensibilidade a críticas e rejeição, preocupação em relação à opinião das pessoas, dificuldade em ser assertivo e baixa autoestima.

ST – Quais são os sintomas da fobia social?
Os sintomas são rubor, urgência em urinar e evacuar, porém, a queixa inicial é o automonitoramento durante uma situação social, ou seja, é uma atenção exagerada voltada para seu desempenho, que o impede de se comportar adequadamente.

ST – Não poderíamos chamar a fobia social de timidez?
SM – Não. A fobia social não é timidez, pois a timidez é transitória e não está ligada ao comprometimento significativo da vida do sujeito. A fobia social, se não tratada, pode ser incapacitante.

ST – Qual é o quadro atual da doença?
SM – A fobia social é o terceiro transtorno mental mais comum, ficando atrás do alcoolismo e da depressão. Ela varia entre 3 e 13%, ou seja, um grupo de pessoas tem a chance de desenvolvê-la como patologia de 3 a 13%.
Foi demonstrado em 2008 que a fobia social é um fator predisponente para transtorno de humor, como a depressão e abuso de substâncias. Um estudo sobre comorbidades feito com 71 pacientes com fobia social, realizado por Turner em 1991, concluiu que ela é frequentemente associada a outros transtornos, como: transtorno de ansiedade generalizada (33%), seguido pela fobia simples (8%), transtorno evitativo de personalidade (22%), seguido pelo transtorno de personalidade obsessivo-compulsivo (9%).

ST – Existe uma possível causa para a fobia social?
SM – A causa da fobia social é multifatorial. Ela pode ser devido à predisposição genética, traços de personalidade, experiências de vida, disfunções cognitivas entre outros fatores que resultarão no surgimento da doença e em sua intensidade.

ST – Qual seria o tratamento adequado para a fobia social?
SM – Eu recomendo a psicoterapia cognitivo-comportamental (TCC) combinada com tratamento medicamentoso.

ST – Explique, por favor, para os nossos leitores o que é psicoterapia cognitivo-comportamental.
SM – Psicoterapia cognitivo-comportamental é um tipo de psicoterapia baseada em métodos específicos para a modificação de pensamentos, emoções e comportamentos, com o intuito de conseguir contornar as queixas dos pacientes.

ST – E como ela é aplicada no tratamento da fobia social?
SM – Normalmente são utilizadas quatro técnicas: a de habilidades sociais, a exposição, a reestruturação cognitiva e a de relaxamento. A técnica de habilidades sociais trabalha a habilidade de se comunicar e interagir com as outras pessoas de uma forma eficaz e apropriada, levando em consideração o contexto sócio-cultural vivido, uma vez que ser socialmente hábil em um determinado lugar pode não ter o mesmo significado que em outro. A de exposição pode ser pela imaginação, quando requer que o paciente imagine a situação, ou ao vivo, quando este indivíduo confronta realmente a realidade. A reestrutura cognitiva é formada por uma série de intervenções em que os pacientes são ensinados a identificar pensamentos que geram ansiedade e que normalmente têm como tema situações sociais. Já as técnicas de relaxamento têm a função de ajudar o paciente a controlar sintomas fisiológicos e a reduzir sintomas de ansiedade que estejam presentes antes e durante os eventos sociais temidos. Além do tratamento combinado com TCC, recomendo também a estimulação magnética transcraniana, que é um trabalho inédito no mundo e que o núcleo de neurociências do Laboratório de Pânico e Respiração (LABPR) do IPUB/UFRJ vem desenvolvendo sob minha coordenação e do psiquiatra Prof. Dr. Antônio Egidio Nardi, coordenador do LABPR e do Programa de Pós-Graduação em Psiquiatria e Saúde Mental (PROPSAM) da Universidade.

ST – O que é a estimulação magnética transcraniana?
SM – A EMT é um método não-invasivo, seguro e indolor, baseado na lei de Faraday de indução eletromagnética, onde uma corrente elétrica é induzida no tecido cortical através de um campo magnético gerado por uma bobina colocada sobre o escalpo, despolarizando ou hiperpolarizando os neurônios. É considerado um tratamento de neuromodulação devido a seu foco nos circuitos neurais dos transtornos. A EMT altera a neuroquímica nas sinapses cerebrais, alterando ou modulando a função dos circuitos neurais no cérebro que se acredita estar desorganizada nos transtornos.

ST – Como pacientes com fobia social podem ter acesso a esse procedimento?
SM – Pacientes com fobia social, assim como qualquer outro transtorno de ansiedade e de humor, que queiram participar de nossa pesquisa no núcleo de neurociência devem entrar em contato comigo via email: secm80@gmail.com
O tratamento em nossa pesquisa é totalmente gratuito.

sergiomachado1* Sergio Machado é neurocientista, Ph.D., graduado em Educação Física (UNESA), Mestrado e Doutorado pelo Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPUB/UFRJ), Pós-Doutorado em Neurofilosofia pelo Instituto de Filosofia da Universidade Federal de Uberlândia (IFILO/UFU), é professor do Programa de Pós-Graduação em Psiquiatria e Saúde Mental (PROPSAM) do IPUB/UFRJ e do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Atividade Física da Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO). É pesquisador na área de transtornos de humor e ansiedade.

2 COMENTÁRIOS

  1. Excellent NDP performance from you! Your &#on80;s22” in the drama was Adrian Pang’s son (Zachary) – superb. What’s the name of the boy who portrayed you as the son in the younger days? He acted very well too. Welcome back Sharon Au! We missed her presence and glad that she acted in NDP. Clap! Clap! Clap! Applause from us ….

  2. Há mais de vinte anos, em uma sessão com meu terapeuta, alguns meses antes de eu começar usar as medicações antidepressivas, devido a um quadro psiquiátrico infernal por mim vivido, ao longo de metade de minha vida, onde a fobia social sempre foi o sintoma mais cruel de todos, eu disse para ele (meu terapeuta): Mas a tensão nervosa é terrível. Eu estou sempre ligado em pequenas coisas, em mim e

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