Etapas da agorafobia

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Por Karen Terahata

Em uma das reuniões do nosso grupo de apoio, falamos sobre uma possível prevenção aos transtornos de ansiedade. Mas como essa prevenção poderia ser feita, já que não existem exames clínicos disponíveis que possam nos dar um diagnóstico precoce?

Navegando pelo site da Revista Brasileira de Psiquiatria, encontrei uma tabela com estágios da agorafobia, que vai de uma fase inicial, chamada de “pré-agorafobia”, até o transtorno do pânico em estado crônico.
De acordo com a publicação, este método de classificação por estágios também pode ser aplicado em casos de ansiedade generalizada e fobia social.

Estágios da agorafobia

1 – Pré-agorafobia: presença de ansiedade (incluindo ansiedade em relação à saúde e sensibilidade à ansiedade) e/ou medos isolados e/ou fatores de personalidade, tais como dependência e evitação de danos e/ou bem-estar psicológico comprometido.

2 – Agorafobia: medo de estar em situações ou lugares dos quais seria difícil escapar, intensidade leve (certa evitação ou resistência com angústia, mas estilo de vida relativamente normal) ou moderada (estilo de vida restrito) de acordo com os critérios do DSM-IV.

3 – Transtorno do pânico (fase aguda): aparecimento de ataques de pânico e desenvolvimento de transtorno do pânico (DSM-IV). Agravamento da agorafobia e ansiedade. Ansiedade em relação à saúde pode transformar-se em hipocondria e/ou fobia da doença e/ou tanatofobia (medo da morte). Desmoralização e/ou depressão maior podem ocorrer.

4 – Transtorno do pânico (fase crônica): agorafobia pode agravar (evitação resulta em isolamento parcial ou total) de acordo com o DSM-IV, e crenças e medos hipocondríacos podem ficar acentuados quando o transtorno do pânico excede seis meses. Maior suscetibilidade à depressão maior.

Podemos notar que os sintomas vão evoluindo até que tornam-se crônicos. Desse modo, é possível crer que, se o paciente fosse encaminhado para um psicólogo ou para um psiquiatra logo nos primeiros sinais de ansiedade, o transtorno poderia ser evitado. Os pensamentos negativos – “automáticos”, como chamam os psicólogos – poderiam ter sido contornados, o que já não é tão fácil quando o problema se instala e se cronifica.

A questão é que, muitas vezes, os próprios médicos que trabalham nas emergências dos hospitais não têm esse discernimento (preparo, ou sensibilidade), e simplesmente prescrevem um calmante para os pacientes que chegam até eles durante um ataque de pânico. Daí a importância de investimento nas áreas de pesquisa e formação de profissionais.

Leia a matéria completa.

6 COMENTÁRIOS

  1. Olá! Recebo muitas mensagens daí, de Portugal, sei que a ansiedade também tem feito vítimas no seu país. Quanto à busca por um diagnóstico, acho que é bastante comum entre nós. Afinal, não é fácil sentir tantos sintomas físicos, além dos emocionais, e ouvir de um médico que não é "nada"… queremos saber exatamente o que temos para buscar tratamento. É este o ponto. Grande abraço para

  2. Não resido no Brasil mas posso vos dizer que esse problema tb acontece aqui em Portugal. Aqui tb é muito dificil obter um diagnostico concreto, por vezes é o próprio paciente que descobre através da leitura e do seu auto conhecimento da doença, o problema que tem. A minha irmã, ao inicio lhe diagnosticaram na urgência hospitalar depressão, o psiquiatra que consultou mais tarde lhe disse que era

  3. Olá, Sergio, muito obrigada pelo seu comentário. Foi bastante esclarecedor! :) Os pacientes sentem necessidade de um diagnóstico preciso, querem (quero!) saber o que têm de verdade, se é pânico, agorafobia, TAG… mas vendo por esse ponto de vista – a experiência clínica como arte -, o diagnóstico depende muito de como cada profissional (no caso, psiquiatra) vai enxergar os sintomas, concorda? O

  4. Oi, Mariza, tudo bem? Realmente seria muito bom se você pudesse fazer terapia, acho essencial para o tratamento. Mas se você não tem condições no momento, mantenha o acompanhamento do seu psiquiatra. Você diz que os sintomas melhoraram muito, ou seja, hoje tem mais qualidade de vida, certo? Então não se preocupe em parar com os remédios agora. Deixe que seu médico se preocupe com isso! Você deve

  5. Karen, muito bom seu post! Concordo com você no que diz respeito ao investimento que deve ser feito em pesquisas na área, mas a questão do diagnóstico precoce é muito difícil em psiquiatria. Alguns desses sintomas são comuns na ansiedade "normal" e não somente na patológica, como o pânico, fobia social, ansiedade generalizada etc. Uma coisa que deve ficar clara também é que atualmente,

  6. Trato minha ansiedade,síndrome do pânico com psiquiatra,tomo remédios,mas,gostaria mesmo é de terapia,pois,meus sintomas melhoraram muito,mas,quero saber lidar com minhas crises sem remédios,aprender como suportar…

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