“Esse médico fez toda a diferença, com sua conduta respeitosa e paciência ímpar”, conta leitora do Rio de Janeiro

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Leitora vive na Cidade Maravilhosa (Freeimages.com)

Querida Karen,
Meu tratamento foi por um bom tempo adiado, logo, mais demorado, pois eu mesma relutei em fazer uso dos [medicamentos] controlados. Assim como demorei para aceitar que psiquiatras não eram médicos de loucos.

Foi tudo muito lento para mim. A aceitação e o tratamento.
Só busquei ajuda quando estava no “fundo do poço”. E quando se chega a esse estágio, não há mais como fugir, você precisa voltar. Afinal, é o fundo, não há mais saída. E eu sempre quis viver!

Foi neste momento crucial que encontrei um bom profissional, que, além de me medicar corretamente, teve respeito pela minha doença, e se deu ao trabalho de conversar comigo sobre os assuntos que me afligiam, que eram: estar sob os cuidados de um psiquiatra, e, mais que isso, precisando de remédios controlados. Aflorava em mim, e em todos que sabiam do tratamento, o pior efeito colateral que se pode experimentar nessa hora: o preconceito!

Esse médico fez toda a diferença, no momento que percebi que já não tinha mais para onde correr. Ele, com sua conduta respeitosa e paciência ímpar, mostrou-me com clareza que os remédios eram necessários para inibir os sintomas, e me deu um exemplo bem simples.

Ele me perguntou: “Quando uma pessoa tem hipertensão e ela não sabe a razão, ela busca os motivos para justificar sua hipertensão?”
“Sim”, ele mesmo respondeu. E continuou: “Ela faz uma bateria de exames, mas começa imediatamente a tratar os sintomas. Não dá para esperar saber o que se tem para ser medicado. Há um risco muito grande para um hipertenso não fazer uso do remédio antihipertensivo. Assim é com os controlados – disse ele -, não dá para esperar saber os motivos que leva a pessoa a precisar dos controlados, é preciso bloquear os sintomas e, paralelo a isso, fazer terapia”.

Primeira etapa vencida, dei início à medicação. Depois disso, numa das consultas ele comentou: “Um paciente quando chega ao meu consultório já passou por quase todas as especialidades. Isso não é ruim, mas corre-se o risco de cronificar o problema”. E disse: “Loucos não sofrem, quem sofre é a família, ou quem cuida deles. Os loucos não têm ciência da doença, não buscam ajuda. Quem vem em meu consultório, são pessoas de mentes sãs que reconhecem que ‘alguma coisa’ está fora de controle e precisam de ajuda”.
Segunda etapa vencida: a aceitação de que eu precisava de um psiquiatra e seus recursos.

Karen, desculpe-me se fui tão extensa, mas achei importante compartilhar essa experiência com vocês. Não há como tratar essas doenças de fundo emocional, que levam a pessoa a um estágio de limitações da sua vida, com chazinhos e conversas. Quem tem ou teve crises de pânicos, como por exemplo foi o meu caso, deve ser tratado adequadamente.

Meu agradecimento a Deus, ao Dr. Luiz Trovão, e a este grupo [Sem Transtorno, no Facebook], que virtualmente fala e nos dá oportunidade de falar dos nossos problemas, sem preconceito.
Parabéns pela sua iniciativa de criar o grupo. E obrigada por me acolher nele.
Tenha um abençoado dia.

Fatima, Rio de Janeiro (RJ)

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