Dr. David Sender: “Psiquiatria é para casos extremos?”

Existe um conceito geral que para chegar até um psiquiatra, precisamos primeiro ter certeza de que estamos graves o suficiente, certo? Errado.

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Quantas vezes já escutamos expressões como:
“Ele não está tão deprimido assim para procurar um psiquiatra. Exagero…”. Como se a psiquiatria fosse reservada para casos extremos, não é?

Talvez você nunca tenha parado para pensar nisso, mas esse senso comum é muito perigoso. Levanta um muro invisível entre a pessoa que está sofrendo e o profissional que pode ajudá-la.

Existe um conceito geral que para chegar até um psiquiatra, precisamos primeiro ter certeza de que estamos graves o suficiente, certo? Errado.

Ao compartilharmos essa ideia, mesmo sem a intenção, acabamos prejudicando milhões de pessoas e contribuindo para que se isolem mais, aumentando inclusive os riscos de suicídio. Nem todo mundo sabe identificar quando seu estado está grave ou não.

Você percebe como isso contraria o que aprendemos desde muito cedo? Que “o melhor é sempre tratar nossos problemas no início”.

Curiosamente, as pessoas não pensam na Cardiologia ou Endocrinologia, por exemplo, da mesma forma que fazem com a Psiquiatria. Pelo contrário! O senso comum diz que vale a pena fazer um check up frequentemente. E se algo de ruim for constatado, todos dizem:  “Sorte que você se preveniu”; “Ainda bem que vai tratar desde o início!”; “Imagine o que teria acontecido se não soubesse de que você sofre?”.

Bem diferente da saúde mental, em que a MINORIA procura ajuda ou faz qualquer idéia do que está sofrendo.

Muita gente vive temporadas, ou até mesmo uma vida toda, tendo que dispor de uma energia enorme simplesmente para conseguir tocar o seu dia, se relacionar com os outros ou achar alguma tranquilidade dentro de si.

E é aí que vemos o que há por trás desse senso comum:

Ninguém sabe o esforço que o outro faz para viver sua própria vida,
em sua própria pele
.

Achar que a psiquiatria é reservada para casos extremos não é apenas desconhecer a profissão, mas também subestimar o sofrimento do próximo. Isso quando não estamos, na verdade, subestimando o próprio.

Por isso, eu te proponho um desafio:

1º) Observe como as pessoas, sutilmente ou não, relacionam PSIQUIATRIA à GRAVIDADE.

2º) Pense em quantas pessoas podem estar deixando de procurar ajuda por concordarem passivamente com esse tipo de julgamento.

3º) Por que não ajudar a esclarecer as coisas?

Não se trata de opiniões diferentes. Ao trazer a psiquiatria para o nosso cotidiano, você pode ajudar pessoas que nem mesmo conhece, a atravessar o enorme muro que os separam do tratamento ao qual estão sendo injustamente privadas.

DavidSender

David Sender é psiquiatra,  professor de psiquiatria da UFJF
CRM: 63497 – MG. RQE: 37311
www.espacocalmamente.com.br

2 COMENTÁRIOS

  1. Preciso de ajudá. Tenho muito medo é só vivo de ajudar as pessoas aquando estou nervosa não sei me controla sou muito esquecida e estou me eizolando de todos gostaria de fica só choro muito.

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