Depressão? Pânico? Transtorno Bipolar? O que afinal de contas é Transtorno de Personalidade Borderline?

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O nome técnico é extenso – Transtorno de Personalidade Emocionalmente Instável -, mas a disfunção, que, só nos Estados Unidos, atinge mais de 12 milhões de pessoas, ficou mais conhecida como “Transtorno de Personalidade Borderline”.

Embora não haja estatísticas de sua ocorrência no Brasil, é legítimo estimar perfil semelhante ao verificado nos Estados Unidos. Lá, outro dado estatístico relevante aponta que chega a 20% o total de casos de Transtorno Borderline entre os pacientes avaliados em internações psiquiátricas.

Mas de que se trata esta disfunção, cuja tradução em português seria algo como “Limítrofe”?

Como se trata de um transtorno de personalidade, só pode ser diagnosticada em pacientes acima dos 18 anos – antes, considera-se que a personalidade está em formação. Entre outros Transtornos de Personalidade, podemos citar o Histriônico (o paciente busca ser o centro das atenções), o de Evitação (uma espécie de transtorno de ansiedade social mais leve), o Esquizóide (não gosta de interagir com outras pessoas) e o Paranóide (sente que está sendo prejudicado ou perseguido).

Os principais traços de comportamento que ajudam os profissionais de Saúde Mental a fazer o diagnóstico de Transtorno Borderline são a instabilidade persistente nos relacionamentos, na autoimagem, e nas emoções, bem como uma impulsividade acentuada. Cada pessoa pode apresentar uma manifestação diferente do transtorno.

Nos relacionamentos interpessoais, o paciente Borderline tem dificuldade de lidar com frustração ou um sentimento de abandono, e pode passar rapidamente da idealização à rejeição do outro. Em casos extremos, pode até levar à tentativa de suicídio – como, por exemplo, forma de pressionar o parceiro a não terminar uma relação.

A Autoimagem que o paciente tem revela senso do Eu muito instável, como se nunca estivesse satisfeito com ele mesmo. Há um sentimento persistente de vazio ou incompletude, ainda que não saiba definir o que possa estar faltando.

Não é depressão

Estressores psicossociais ambientais – como um pedido de promoção ou aumento negado, o fim de um relacionamento – levam o paciente Borderline às variações de humor. São gatilhos que, na maioria das vezes, provocam reações desproporcionais. Caso você tenha entendido traços de depressão nestas descrições, é importante ressaltar que, diferentemente dela, no Borderline o problema não se sustenta ao longo do tempo.

O paciente pode, até, descrever ao médico ou psicoterapeuta sentimentos depressivos, compulsão alimentar ou impulsividade, mas há indícios que nos levam a pensar no diagnóstico de Transtorno de Personalidade Borderline. Fechado o diagnóstico, é necessário conjugar medicações à psicoterapia – a medicação melhora os sintomas, mas caberá à psicoterapia tratar a causa-base. Remédios podem atenuar a impulsividade e a instabilidade de humor, mas não conseguem alterar o padrão por si só.

Este padrão inclui o paciente sentir muito medo ou raiva, quando imagina estar sendo abandonado ou negligenciado – até no tratamento médico – e ter tendência a mudar o ponto de vista sobre outras pessoas de forma abrupta ou dramática – idealiza, exige e demanda do outro cada vez mais, e passa a desprezá-lo ou se irritar se detecta algo que o incomode.

 
Marco Andre MezzasalmaMarco Andre Mezzasalma
MD, MSc, PhD e Médico Psiquiatra no
Instituto de Psiquiatria – Universidade Federal do Rio de Janeiro

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