A jovem Luiza convive com a ansiedade e a depressão

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Sofrer de ansiedade e depressão é a nova “modinha” do momento #SQN

Por Luiza Swala*, para o site Mãe Feliz, Filho Feliz

Seriam essas as doenças da geração danoninho que não encara a vida de frente?

Costumo dizer que a ansiedade é aquela visita que começa aparecendo aos finais de semana e, quando você menos espera, ela se mudou para a sua casa, vindo tão de leve, que no início você nem consegue reconhecer a intrusa.

Ela se apresenta assim: um aperto no coração que você justifica como angústia, as mãos suando frio e você acredita apenas estar nervosa, enjoo e dores de barriga e você pensa que comeu algo que não caiu bem, o coração acelerado e eu adicionava mais um sintoma na conta do nervosismo, foi quando unido aos outros sintomas veio a falta de ar e sensação de fraqueza, minha primeira crise e, assim, eu identifiquei a visitante.

Como já havia mencionado, ela começou a aparecer aos poucos e a frequência dos sintomas foi aumentando gradativamente, afetando o rendimento no trabalho e faculdade.

A ansiedade não anda sozinha. Além de chegar sem ser convidada, ela traz consigo a insônia, fator importante para te afastar do equilíbrio, deixando o caminho aberto para mais crises aparecerem.

Quando dei por mim, passava os dias e noites lutando pra não demonstrar a luta que estava acontecendo dentro de mim. Um lado queria deixá-la tomar conta, conduzir a minha vida, o outro só me julgava, me convencendo da tamanha ingratidão que eu tinha com a vida. Logo eu, que sempre tive acesso à boa educação, casa, comida, afeto, família.

Me tornei expert em fazer cara de paisagem. As pessoas não conseguiam dimensionar o caos dentro de mim. Acho que nem eu. E assim fui levando até que foi ficando insuportável conviver 24 horas por dia com o inimigo ao lado. Pedi demissão do trabalho, busquei uma psiquiatra.

Neste momento, todos ao meu redor esperavam uma melhora surpreendente! Alguns não entendiam o porquê dos remédios, o porquê da terapia, às vezes nem eu os aceitava.

Transtorno de Ansiedade Generalizada é nome todo da dita cuja, “segundo o manual de classificação de doenças mentais (DSM.IV), é um distúrbio caracterizado pela “preocupação excessiva ou expectativa apreensiva, persistente e de difícil controle”, lendo essa definição, eu nem consigo acreditar que ansiedade causa tanto mal, preocupação ou expectativa apreensiva, é só relaxar que passa. (#sqn)

Buscando o tratamento adequado, entrei no modo de expectativas tabajara, meus problemas tinham acabado. Eu tava tomando o antidepressivo associado ao Rivotril em momentos de crise, acompanhada pela psicóloga. O que é que poderia dar errado?

E não é que deu? A bichinha é tinhosa.

Demorei três meses para acertar a medicação, ou seja, mesmo me tratando, a instabilidade se fazia presente. A luta interior continuava e a cara de paisagem também, porque o tempo não para. Eu era uma bomba prestes a explodir ou em picos de pânico ou em choro. Preocupação excessiva? Eu era a louca dos eventos, passava a noite pensando no dia seguinte, temendo o raiar do sol, torcendo por um dia linear.

Foi aí que a ansiedade trouxe outra amiguinha para fazer parte da festa de mau gosto: a depressão.

E dessa forma, eu tive que entender que eu estava dentro de um mar ressacado. Sem controle de nada, às vezes me afogando, às vezes tentando sobreviver. Me senti fraca, me senti culpada.

Hoje entendo que a depressão e a ansiedade são doenças e ninguém escolhe ficar doente. Buscar tratamento e lutar contra, seja da forma como você conseguir, não é fraqueza, é fortaleza.

Ninguém está livre de pegar uma gripe, assim como ninguém está livre de viver uma experiência como a minha.

Hoje, estou boiando nesse mar, fazendo tudo o que está ao meu alcance para a ressaca passar. Conhecendo os meus limites, desatando velhos nós, exercitando a disciplina das meditações e tomando os remédios de forma regular, me autoconhecendo.

Eu sei que um dia as visitas vão embora. As marés nunca permanecem as mesmas, não existe ressaca eterna. O que o mar traz, ele também leva. Entendi que às vezes nadar não é a escolha mais eficiente. Pode parecer que não, mas tudo vai ficar bem.

*Luiza Swala é descrita pela mãe, a pedagoga Claudia Teles, como uma “estudante de Direito que só quer tirar notão, adora ler, é super divertida, gosta de viajar, ama comer, dançar, é forte e luta pelo seu espaço no mundo”.
Claudia é criadora do projeto Mãe Feliz, Filho Feliz, dedicado a mães com filhos especiais.

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