“Muito sofrimento desnecessário é prorrogado e intensificado por medo de se sentir ‘louco'”, diz psicóloga

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Por Patricia Adnet, psicóloga, para o jornal Correio Carioca, Ano VII – nº 63

Sabemos muito bem o quanto é importante visitar o dentista ou o clínico geral com certa regularidade. Se nosso estômago dói, vamos ao gastroentereologista, se não enxergamos muito bem, ao oftalmologista. Porém não estamos muito acostumados a escutar sem espanto quando alguém fala que vai ao psiquiatra ou ao psicólogo. É senso comum acreditar que estes profissionais só cuidam de pessoas “loucas”, portanto se alguém precisa ir a eles logo é taxado como tal.
Desde pequenos somos ensinados a lidar com números, com palavras, temos aulas de educação física, aprendemos a conviver em sociedade; somos preparados para a vida prática do dia-a-dia. Os sentimentos e as emoções, que são nossos companheiros inseparáveis, são postos de lado de tal forma que se apresentam através de dores e mal-estar.
As doenças psicossomáticas dão vazão a sentimentos negligenciados por anos e um evento estressante pode desencadear o processo de adoecimento. Dores constantes, insônia podem não ter causa orgânica alguma para o seu aparecimento. Frequentemente, após extensa investigação através de exames laboratoriais e consultas com diferentes especialistas não se acha a causa para o problema. A procura por um profissional que cuida das emoções, psiquiatra e psicólogo, é adiada o quanto se pode. Muito sofrimento desnecessário é prorrogado e intensificado por medo de se sentir “louco”.
Falar sobre os sentimentos não é algo fácil, mas possível de ser aprendido e essencial para o equilíbrio e bem-estar. Temos horário para trabalhar, passear; abrimos os e-mails… Quando cuidamos da nossa mente e do que sentimos? Simplesmente não cuidamos. Não há tempo na agenda para elaborar os afetos, fatos marcantes; entendermos as nossas relações; se estas estão saudáveis ou doentes.
Dar este tempo a si próprio tendo alguém que possa ouvi-lo, sem crítica ou julgamento, acolhendo e compreendendo o que está sendo dito, é algo realmente profundo e transformador. Capaz de tornar a vida de qualquer pessoa que está disposta a mudar muito melhor. Não se trata de não ter problemas, mas sim de lidar com eles de forma mais tranquila, equilibrada e madura.

7 COMENTÁRIOS

  1. Olá, Karen. Sigo seu blog a algum tempo e acho super bacana o seu gesto para ajudar outras pessoas. Estou em tratamento a alguns meses, espero melhorar logo, e também ajudar outras pessoas. Parabéns pelo brilhante trabalho. Abraços.

  2. karen alguns médicos também não gostam de encaminhar pacientes para o psiquiatra. e também alguns psiquiatras são muito misteriosos nas consultas. falo por experiência própria. ainda não achei um psiquiatra que me traga confiança. é muito difícil. estou estabilizado mas já sofri muito, e na internet que tirei duvidas e entendi mais a doença!!! até sábado!!! Jorge pipeiro

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