30 de março: Dia Mundial do Transtorno Bipolar

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Compras desnecessárias e acúmulo de dívidas fazem parte do comportamento bipolar (Freepik)

“Quando os ânimos oscilam de um extremo ao outro, em reações totalmente desproporcionais aos fatos da vida ou mesmo sem nenhum motivo aparente, e fogem ao controle, entramos num território em que a mente pode estar dominada pelo transtorno bipolar.

Nesse quadro, períodos de depressão e euforia se alternam, geralmente entremeados por fases em que está tudo normal, transformando o amanhã – ou a próxima semana, o mês seguinte, ou o ano que vem – em algo ainda mais imprevisível do que já é para o restante da humanidade.

O transtorno bipolar é conhecido por alterar o humor, mas muda também a velocidade das ideias, o conteúdo dos pensamentos, o nível de energia das pessoas, seu grau de impulsividade e até a quantidade de sono que elas precisam para se sentirem revigoradas.

Nas fases de euforia – que os médicos chamam, tecnicamente, de “mania” -, tudo isso fica alterado para cima: o sujeito se sente altamente desinibido, interage com as outras pessoas sem constrangimentos, fala pelos cotovelos, veste-se de maneira mais ousada e comporta-se sem muitos freios. As ideias e planos são muitos e grandiosos, a pessoa sente-se cheia de si (geralmente, a autocrítica vai para o espaço) e ela se comporta de maneira autoconfiante, assertiva e convincente. A impulsividade fica a toda – tudo é feito de supetão, às pressas. Se lhe dá vontade de comprar, leva para casa coisas que nunca vai chegar a usar; se está com dor de cabeça, toma três comprimidos analgésicos de uma vez para que o incômodo passe logo. A energia também toca as alturas – quatro horas de sono por noite dão ao portador da bipolaridade, em fase de mania, disposição suficiente para dar nó em pingo d’água no dia seguinte.

O resultado da combinação entre desinibição, impulsividade e aumento de energia muitas vezes leva a comportamentos de risco, como fazer sexo com muitas pessoas de forma desprotegida, dirigir em alta velocidade, exagerar na bebida, fumar um cigarro atrás do outro, consumir drogas ilícitas além da conta e gastar desenfreadamente, acumulando dívidas ou dilapidando o patrimônio construído ao longo de uma vida inteira.

O ritmo acelerado imposto pela fase de euforia também acaba deixando o bipolar disperso, impaciente, irritadiço e até agressivo com as outras pessoas.

(…) Já durante a depressão, as pessoas portadoras do transtorno bipolar são lançadas no extremo oposto. Todos os pensamentos, sensações e comportamentos ganham um viés negativo, para baixo.

Os sintomas centrais da fase depressiva são a perda de interesse e prazer em atividades que antes despertavam entusiasmo e satisfação, além de uma sensação persistente de vazio e tristeza. Outros sentimentos negativos costumam aparecer, como baixa autoestima, insegurança, medo, culpa, tédio, indiferença, desânimo e desesperança. Tomar decisões torna-se mais difícil que o normal e podem surgir pensamentos ligados à ruína financeira, doença e morte.

(…) As medicações disponíveis para o tratamento do transtorno bipolar conseguem evitar o número de recaídas em até 80%, no prazo de um ano. Os tratamentos farmacológicos reduzem a frequência e a gravidade das manias e depressões, evitando hospitalizações frequentes, tentativas de suicídio e permitindo que a vida das pessoas acometidas pela bipolaridade sofra menos sobressaltos. (…) mesmo quando tudo parece bem, via de regra é preciso tomar a medicação continuamente, para manter a doença sob controle”.

(Trecho do livro Não é Coisa da Sua Cabeça, de Naiara Magalhães e José Alberto de Camargo. Editora Gutenberg)

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